Fabio Duarte_3

Fabio Duarte

Mestrando em Divulgação Científica e Cultural pelo Labjor – UNICAMP e formado em Midialogia também pela UNICAMP. 

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Fabio Duarte

Mestrando em Divulgação Científica e Cultural pelo Labjor – UNICAMP e formado em Midialogia também pela UNICAMP. 

Aprender e apreender fungos

Experiência de coleta influenciado pelo livro ‘A teoria da bolsa de ficção’ da Ursula K. Le Guin.

Há certos padrões visuais e têxteis na natureza que me causam sensações perturbadoras, aversões e distanciamentos. Então, por que pegá-las e guardá-las? Racionalizar a experiência da observação e se atrever a coletar pode ser uma tentativa de destreinar as sensações do mundo humano e se permitir vivenciar outros mundos.

Assim como a linguagem, escrita e narrativa são um dos caminhos para novas e antigas visões do mundo. A partir do encontro e coleta de fungos em um tronco plantado em uma praça, sou provocado a entender como o olhar e o tato também podem ser portas para não apenas visões, mas sentidos do mundo. Colocando o conhecimento a priori dos reflexos e aversões, é notório perceber a propriedade basilar e circular da existência dos fungos (aqui falado de forma geral, mas considerando suas diversidades).

Com os sentidos treinados para gostar do que está à tangente de lindas flores, tocar e experienciar os fungos me leva a pensar como Ursula K. Le Guin, que considera a importância de outras existências para a manutenção do todo (que se expande no momento do encontro e da coleta). É apenas com muitos outros guardares, e não enfrentares, que entenderemos as possibilidades para existir?

Levo em conta as condições de sobrevivência que o distanciamento dos fungos carrega, o que torna a racionalização mais complexa, com a mesma provocação que senti no texto da Ursula, “A teoria da bolsa de ficção”. Se me aproximando dos fungos eu aprendo sobre sobrevivência, tempo, ciclos, reaproveitamento… também, me distanciando, aprendo sobre sobrevivência, tempo, ciclos, reaproveitamento… Da mesma forma como posto por Ursula, não há apenas um modo de se perceber, aprender e apreender a vida, mas existem inúmeros, que descobrimos quando entendemos que o vigente não faz mais sentido, ou que aquilo que sustenta o perceber nos leva para uma finitude mais próxima.

Por fim, pegar e guardar os fungos, com seus padrões passíveis de serem perturbadores, é uma proposta de fuga para outros mundos em busca de complemento. Não é negar o valor que a aversão tem, tampouco hiperfocar no mundo fungi, mas acrescentar ao viver e enfrentar os sentidos que me foram treinados.

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